O que é osteoporose?

Ao contrário de doenças que se anunciam com dor ou sinais evidentes, a osteoporose avança sem qualquer aviso perceptível. A perda de massa óssea ocorre de forma gradual ao longo de décadas, e muitos pacientes só recebem o diagnóstico após sofrerem uma fratura - frequentemente na coluna, no quadril ou no punho. Em alguns casos, uma simples espirrada ou um movimento brusco já é suficiente para fraturar uma vértebra fragilizada.

O silêncio da doença é agravado pela baixa taxa de rastreamento: muitas pessoas com indicação de realizar a densitometria óssea nunca o fazem por desconhecimento ou por ausência de sintomas que motivem a busca por cuidado. Reconhecer esse padrão é essencial para mudar a cultura de prevenção - esperar os sintomas, nesse caso, é esperar pela fratura.

Exame de densitometria óssea mostrando a coluna e o fêmur

O que é o exame de densitometria óssea?

A densitometria óssea (DXA) é o exame padrão-ouro para o diagnóstico da osteoporose. Ele mede a densidade mineral óssea, principalmente na coluna lombar e no fêmur, e expressa o resultado por meio do T-score. Valores entre -1 e -2,5 indicam osteopenia, um estágio inicial de perda óssea; abaixo de -2,5, o diagnóstico é de osteoporose estabelecida.

Além da densitometria, o médico pode lançar mão de exames laboratoriais para investigar causas secundárias - como alterações na tireoide, nos níveis de vitamina D ou no Paratormônio (PTH) - e da ferramenta FRAX, uma calculadora de risco de fratura que considera não apenas a densidade óssea, mas também fatores clínicos do paciente. Juntos, esses dados permitem decisões terapêuticas muito mais precisas e individualizadas.

Qual é o tratamento de osteoporose?

O tratamento da osteoporose começa com medidas fundamentais no dia a dia. Uma alimentação rica em cálcio (presente em leite e derivados, sementes, vegetais verdes escuros e alguns peixes) e níveis adequados de vitamina D são essenciais para a saúde dos ossos. A prática regular de exercícios físicos ajuda a fortalecer a estrutura óssea e muscular. A exposição ao sol, de forma segura, também contribui para a produção de vitamina D pelo organismo.

Além dessas mudanças no estilo de vida, muitos pacientes precisam de tratamento medicamentoso. Existem remédios que reduzem a perda de massa óssea e outros que estimulam a formação de osso novo, sendo indicados de acordo com o risco de fratura e o perfil de cada pessoa. O uso correto dessas medicações, junto com suplementação quando necessário, pode diminuir significativamente o risco de fraturas.

Outro ponto muito importante é a prevenção de quedas, principalmente em pessoas mais idosas. Ajustes simples no ambiente doméstico, como melhorar a iluminação, evitar tapetes soltos e usar calçados adequados, fazem diferença. O acompanhamento médico regular permite avaliar a evolução da doença, ajustar o tratamento e garantir que as medidas adotadas estejam sendo eficazes ao longo do tempo.

O fisiatra trata osteoporose?

O médico fisiatra é plenamente qualificado para o tratamento clínico da osteoporose, incluindo a prescrição e o acompanhamento de medicamentos específicos como bisfosfonatos, denosumabe e suplementação de cálcio e vitamina D. Mas sua especialidade - medicina física e reabilitação - o distingue por ir além da farmacologia: ele avalia equilíbrio, força muscular, postura e risco de quedas, integrando o tratamento medicamentoso a uma abordagem funcional e individualizada que poucos especialistas oferecem de forma combinada.

Esse olhar amplo permite ao fisiatra atuar também na prevenção, orientando pacientes desde a juventude sobre hábitos que constroem e preservam a massa óssea. Alimentação adequada, exposição solar, prática de exercícios com impacto e resistência, e abandono do tabagismo são condutas que precisam começar cedo e se intensificar com o avançar da idade - especialmente na perimenopausa, quando a perda óssea acelera nas mulheres, e após os 60 anos, quando o risco de quedas aumenta nos homens.

Quando a prevenção não foi suficiente e a fratura já ocorreu, o fisiatra assume um papel central na reabilitação. Ele coordena a equipe multidisciplinar - fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas - para restaurar a mobilidade, controlar a dor, recuperar a função e adaptar o ambiente e as atividades à nova realidade do paciente. O objetivo não é apenas curar a fratura, mas devolver ao paciente a confiança e a autonomia de viver com segurança.

Posso fazer exercícios físicos se tenho osteoporose?

Exercícios com impacto e resistência são os mais eficazes para estimular a formação óssea, pois a carga mecânica sobre o esqueleto ativa as células responsáveis pela produção de tecido ósseo. Caminhada, musculação, dança e exercícios com faixa elástica se destacam nesse sentido. O treino de força muscular tem o bônus adicional de proteger articulações e reduzir o risco de quedas.

No entanto, nem todo exercício é adequado para quem já tem osteoporose severa. Atividades com flexão intensa da coluna, saltos de alto impacto ou movimentos bruscos de torção podem aumentar o risco de fraturas em pacientes com densidade óssea muito baixa. Por isso, a prescrição deve ser individualizada - o que é seguro e benéfico para um paciente pode ser contraindicado para outro.

Pessoa idosa praticando exercícios de fortalecimento e equilíbrio

Quais remédios podem ser usados no tratamento de osteoporose?

Cálcio e vitamina D são fundamentais, mas sozinhos podem não bastar em casos de osteoporose já estabelecida. O cálcio é o principal mineral estrutural dos ossos, e a ingestão adequada - entre 1.000 e 1.200 mg por dia para adultos - deve ser garantida preferencialmente pela alimentação, com laticínios, vegetais verde-escuros e alguns peixes. A vitamina D, por sua vez, é indispensável para que o cálcio seja absorvido pelo intestino e depositado no tecido ósseo.

Quando a osteoporose já está instalada e o risco de fratura é elevado, o tratamento medicamentoso específico costuma ser necessário. Os bisfosfonatos são os mais utilizados, mas há outras opções como denosumabe, teriparatida e raloxifeno, cada uma com indicações e perfis de efeitos colaterais distintos. A decisão sobre qual medicamento usar deve ser tomada em conjunto com o médico, considerando o risco de fratura, o histórico e as características individuais de cada paciente.

Homens podem ter osteoporose?

A osteoporose é historicamente associada à mulher na pós-menopausa, o que cria um ponto cego importante: homens também desenvolvem a doença, respondendo por cerca de 20% dos casos, mas são raramente rastreados. A perda óssea masculina tende a ocorrer mais tardiamente - geralmente após os 70 anos - e de forma mais gradual.

Nos homens, as causas secundárias têm peso ainda maior: hipogonadismo (baixa testosterona), uso crônico de corticoides, tabagismo, alcoolismo e doenças como DPOC e diabetes são gatilhos frequentes. Ampliar o olhar diagnóstico para esse grupo é uma necessidade urgente dentro da medicina de reabilitação.

Como prevenir osteoporose?

Nunca é tarde para agir, mas quanto mais cedo melhor. O pico de massa óssea é atingido por volta dos 25 a 30 anos, e é justamente nessa janela que hábitos como alimentação rica em cálcio, exposição solar regular e prática de exercícios têm o maior impacto preventivo. Construir uma "reserva óssea" robusta na juventude é o melhor seguro contra a osteoporose na velhice.

Para quem já recebeu o diagnóstico, a mensagem também é de esperança: com tratamento adequado, é possível estabilizar a perda óssea, reduzir o risco de fraturas e manter uma vida ativa e independente. A reabilitação fisiátrica desempenha papel central nesse processo, não apenas tratando a doença, mas devolvendo ao paciente a confiança de se mover pelo mundo sem medo.

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